Bronzeamento x Proteção.

Constituição da Pele

A pele humana possui diversas camadas de tecido. A camada mais externa é conhecida como epiderme. Na parte superior da epiderme, o estrato córneo, células mortas estão comprimidas de forma compacta em uma camada de aproximadamente 20 células de profundidade. A segunda camada é a derme. Essa camada importante possui o tecido conjuntivo, os capilares, os nervos, as glândulas sudoríparas e os folículos capilares.

Ao longo da membrana que liga a epiderme à derme se encontram dois tipos de células especializadas que são de particular interesse dos banhistas.Uma é a célula basal. As células basais reproduzem células para a epiderme chamadas queratinócitos. Os queratinócitos, ao longo de sua vida, vão se aproximando cada vez mais da superfície externa devido ao surgimento constante de novos queratinócitos, provenientes da camada basal, que empurram os mais antigos. Durante esse trajeto, essas células tornam-se achatadas e alongadas e morrem. As células mortas, que agora formam o estrato córneo, são pressionadas para cima até serem desprendidas por um processo conhecido como descamação.

Na pele não bronzeada, os queratinócitos medianos levam de três a quatro semanas para migrar à camada basal da superfície da epiderme.A outra célula especializada produzida ao longo da membrana que une a epiderme à derme é o melanócito. Essas células, embora em pequena quantidade, têm um importante papel na proteção do corpo.

Quando os raios UV-A ou UV-B atingem os melanócitos, eles emitem uma resposta, produzindo um pigmento da pele chamado melanina (um polímero complexo), capaz de absorver radiação ultravioleta. Nascemos com diferentes quantidades desse polímero. Pessoas de compleição clara têm pouca melanina; as de pele morena têm mais e as de pele escura têm muita.

A melanina interage com a radiação solar em dois estágios. No primeiro, grânulos pálidos (desoxigenados) de melanina próximos à superfície da pele são transformados, pela luz ultravioleta, em cor escura (oxidada). Isso produz um bronzeado imediato — normalmente no prazo de uma hora — que desaparece dentro de um dia. Um bronzeado mais duradouro é proporcionado pelo segundo estágio. Nesse processo, novas quantidades de melanina são produzidas a partir da tirosina, um aminoácido abundante na proteína da pele. Esse segundo estágio de bronzeamento resiste por vários dias sem a necessidade de exposições posteriores ao sol. Novos banhos de sol não só produzem mais melanina como também aumentam as cadeias de polímero e realçam a cor. Contudo, se mesmo depois de terem sido estimuladas pela radiação ultravioleta as células responsáveis pela produção de melanina possuírem uma baixa atividade, então é possível que a pessoa nunca fique bronzeada. Entretanto, o efeito final da radiação ultravioleta é a danificação das proteínas que constituem o tecido elástico e conectivo da pele. Isso produz um  irreversível envelhecimento da pele, que se tornará enrugada, dura e macilenta. Um sinal comum da exposição excessiva é a vermelhidão – ou eritema– associada a queimaduras solares. Em geral, os pesquisadores concordam que essa reação inflamatória, que pode persistir por muitos dias, é um resultado ou da ação direta dos fótons ultravioletas sobre pequenos vasos sanguíneos ou da liberação de compostos tóxicos de células epidérmicas danificadas. As toxinas espalham- se pela derme, danificando os capilares e causando a vermelhidão, o calor, o inchaço e a dor. Mais sangue circula pelas áreas afetadas pelo UV, auxiliando no processo de recuperação.O grande volume de sangue faz a pele parecer avermelhada. A circulação de sangue, que aumentou, também dissipa uma grande quantidade de calor do corpo, e este é o motivo pelo qual a área da pele que foi queimada parece quente ao toque. Essa reação normalmente atinge o auge entre 12 e 24 horas.

 

Etnias e cor de pele

Fazendo uma retrospectiva histórica, a pele branca muitas vezes indicou posição de destaque na sociedade. Enquanto trabalhadores, servos e escravos passavam a maior parte do seu tempo ao sol, os aristocratas procuravam a sombra, carregando guarda-sóis, usando chapéus ou viseiras e ficando em lugares cobertos. Para muitos, entretanto, a Revolução Industrial levou embora a busca da palidez. Os trabalhadores, agregados em fábricas, passavam longos períodos em lugares fechados. A industrialização barateou o custo da sombra e aumentou o preço da luz solar. Quem tinha um bronzeado mostrava que tinha tempo livre e saúde para viajar aos locais onde pudessse tomar muito sol. Esta é uma versão da história. Uma outra é que na alta sociedade européia, na década de 20, o chique era ter a tez branco-leite. Somente pessoas simples, que trabalhavam nos campos, eram bronzeadas. Então, a estilista Coco Chanel, depois de um cruzeiro pelo Mediterrâneo, apareceu com um bronzeado dourado. Sempre ditando tendências, Chanel fez de sua cor a coqueluche do momento. Foi aí que começou a nova era do bronzeado.

Hoje em dia, o sentido do bronzeado está intimamente ligado a tempo de lazer ou a férias. Nessas ocasiões, as pessoas gastam mais tempo preocupando-se com a estética. Tanto na praia como na piscina, as queixas são sempre as mesmas:

• Por que é que todo mundo consegue pegar um bronzeado melhor do que o meu?

• Será que possuem um tipo diferente de pele?

• Será que estão usando um bronzeador com algum tipo de fórmula mágica?

• Por que minha pele quase sempre fica vermelha e descasca?

Acabe com as chateações controlando seu bronzeado. É fácil: basta saber como o sol afeta a pele e como derterminadas substâncias atuam numa loção. Vamos começar pelas noções básicas.

 

Influências étnicas

Embora os tipos de pele pareçam semelhantes do ponto de vista anatômico, funcional e bioquímico, existem variações entre elas que necessariamente devem ser levadas em conta nas formulações dos produtos cosméticos, principalmente quando se trata das etnias. Atualmente, são considerados três grupos étnicos: caucasianos, africanos e asiáticos. Uma das diferenças entre as etnias é pigmentação; o número de melanócitos não é significativamente diferente. O responsável pelo diferencial são os melanossomas, grânulos localizados dentro da célula e formados essencialmente de melanina, esta pela ação da enzima tirosinase, a qual resulta num pigmento responsável pela cor. Os melanossomas dos indivíduos de pele branca (ou caucasóides) são menores, agrupados entre si em número de três, e quebrados por enzimas para atingirem o estrato córneo. Nos negros os melanossomas são grandes, distribuídos isoladamente nos queratinócitos e persistem desta forma até o estrato córneo. A pele dos asiáticos, por exemplo, apresentam relativamente pouco teor de melanina, mas uma quantidade substancialmente maior de beta-caroteno, isto explica sua cor amarelada. Portanto, a intensidade da cor da pele e como conseqüência as diferenças étnicas, não ocorrem em função do número de melanócitos existentes, mas em função do tamanho e morfologia, distribuição e grau de melanização dos melanossomas.

Na pele branca os melanossomas são pequenos e reunidos por grupos no interior dos queratinócitos: estes melanossomas são degradados nas camadas superficiais da epiderme.

Na pele negra os melanossomas estão dispersos individualmente no citoplasma dos queratinócitos e apresentam tamanho maior, não sendo degradados e chegando intactos à camada córnea. Esse fato explica a maior proteção solar no caso da pele negra, protegendo- os dos efeitos nocivos dos raios ultravioleta.

Outra diferença entre as etnias é que a pele negra é estruturalmente diferente dos brancos, pela maior presença de glândulas sudoríparas (apócrina-écrina), e maior número de vasos sanguíneos, levando a predisposição de hiperpigmentação.

Inúmeros estudos têm sido realizados comparando-se a perda transepidérmica de água entre os grupos étnicos.  Comparando-se as peles negra, branca e asiática, observou- se maior perda de água em negros, os quais apresentam uma pele mais ressecada.

Bronzeamento X Proteção

A pele possui diversos mecanismos de autoproteção. Sua defesa mais simples é aumentar a distância que a radiação deve percorrer antes de causar danos. A pele acelera a produção de queratinócitos, o que torna a epiderme e o estrato córneo mais espessos.

Essa conduta aumenta a taxa da descamação, até diversos dias após a queimadura.

O bronzeado não é uma proteção absoluta contra os danos que os raios UV causam à pele. Sendo uma reação retardada, uma grande quantidade de dano pode ocorrer antes de um bronzeamento protetor se desenvolver. A melanina também não absorve todos os raios UV. Pessoas que têm baixa densidade de melanina, isto é, as de pele mais clara, têm muito pouca proteção natural.

Estudos sobre a relação entre comportamentos relacionados ao bronzeamento e risco elevado de melanoma, mostrou que entre os jovens( na faixa entre15 e 19 anos), apesar do conhecimento sobre os riscos da exposição excessiva à radiação ultravioleta e sobre as práticas visando à proteção da pele, prevalece o hábito de expor-se intencionalmente ao sol. Esse hábito é alimentado por crenças e atitudes em relação ao bronzeado e estimulado por influência do grupo e de pessoas consideradas “referências”. As práticas mais freqüentemente adotadas para bronzear a pele apresentam risco elevado para o desenvolvimento de melanoma. Conclui-se que a forma mais eficaz de prevenir o melanoma é divulgar nos meios de comunicação que a pele bronzeada não é saudável, pois foi danificada pela radiação ultravioleta solar; e iniciar campanhas com ações efetivas para mudar comportamentos, naquilo que os motiva e os alimenta.

 

Raios UVA, UVB e UVC

O sol emite um amplo espectro de radiação eletromagnética, e a maior parte dela é muito nociva para os seres vivos. No entanto, grande parte da radiação nociva – raios cósmicos, raios X, ultravioleta (Tabela 1) – é absorvida pelas camadas superiores da atmosfera, principalmente pelacamada de ozônio. Daí, a preocupação com a possível destruição da camada de ozônio pela ação das substâncias emitidas pelas turbinas de aviões supersônicos, aviões militares e jatos comerciais e dos aerossóis que expelem clorofluorocarbonetos. A radiação eletromagnética pode ser descrita como sendo constituída por ondas eletromagnéticas. As diferentes ondas que compõem a radiação

solar podem ser diferenciadas através de seus comprimentos de onda. A distância entre dois pontos simétricos e consecutivos de uma onda (ou de dois mínimos) é o que se denomina comprimento de onda (Figura 1). Da parte do espectro eletromagnético que atinge a superfície da Terra (ultravioleta, visível e infravermelho), a faixa que está diretamente envolvida  com o bronzeamento da pele é a do ultravioleta, a mais  energética das três. Essa faixa possui um comprimento de onda que varia, aproximadamente, de 200 a 400 nanometros. De acordo com suas propriedades físicas e com seus efeitos biológicos, a faixa ultravioleta é normalmente dividida em sub-regiões. São elas: UV-C, UV-B, UV-A. Os raios UV-C variam de 200 a 290 nm, sendo os de maior energia e menor comprimento de onda. Essa radiação é nociva aos tecidos vivos. Pode matar organismos unicelulares e prejudicar a córnea dos olhos. Felizmente, o UV-C é absorvido pela camada de ozônio da atmosfera. O comprimento de onda dos raios UV-B varia de 290 a 320 nm, e atinge a superfície da Terra em quantidades muito pequenas. O UVB provoca a vermelhidão associada às queimaduras do sol, sendo também um dos grandes causadores de alguns tipos de câncer de pele. Os raios UV-A variam de 320 a 400 nm e são a menos energética das três sub-regiões. ‘Luzes negras’, usadas para iluminar boates, estão incluídas nesse comprimento de onda. Assim como o UV-B, o UV-A é capaz de acionar os mecanismos do bronzeamento, sendo chamado algumas vezes de ‘raio bronzeador do sol’. Embora o UV-B seja o principal responsável pelos efeitos nocivos à pele, alguns especialistas acreditam que o UV-A também contribua na produção de queimaduras.

Dados Estatísticos Câncer de Pele em jovens

Ao longo dos anos, uma exposição ao UV pode danificar a pele. Pesquisas recentes indicam que mudanças na função do sistema imunológico da pele podem acontecer depois de uma única queimadura. O câncer de pele tem sido associado à exposição ao UV-B. Além disso, o excesso de radiação UV causa envelhecimento precoce – a pele torna-se coriácea e enrugada. Esse dano, que pode começar enquanto você está ainda com seus 20 anos, é cumulativo e irreversível. Felizmente, muitos destes efeitos podem ser evitados. Uma forma de prevenção é ficar fora do sol ou se cobrir. Para a maioria das pessoas, entretanto, um método mais prático é usar protetores solares industrializados.

Existem três tipos de câncer de pele: o carcinoma da célula basal, o carcinoma da célula escamosa e o melanoma, que é o menos comum, porém o mais perigoso.Alguns cientistas acreditam que a destruição da camada de ozônio, que bloqueia a maior parte da radiação ultravioleta do sol, está contribuindo para o aumento do câncer de pele. Por enquanto, não existem muitas evidências para sustentar essa noção. Todavia, os pesquisadores concordam que, com o passar do tempo, a diminuição da camada de ozônio trará problemas.

As células epidérmicas tornam-se malignas quando o DNA de seus núcleos é alterado, levando estes a se dividirem descontroladamente e a formarem tumores. A transformação do DNA pode ser causada por repetidas exposições a raios X , a queimaduras solares, doenças infecciosas ou contato freqüente com certas substâncias.

Dentre esses agentes causadores de câncer, o mais comum tem sido a luz ultravioleta produzida pelo sol.

Em geral, as pessoas mais vulneráveis ao câncer de pele são as de pele clara. Negros raramente têm carcinomas ou melanomas. A razão de negros com melanoma em relação a brancos com esse mal é de 1/15. A pigmentação escura é obviamente protetora. Os casos raros de melanoma encontrados entre os negros acontecem quase exclusivamente em regiões mais claras da pele que geralmente não estão expostas ao sol: palmas das mãos, solas dos pés, a parte de baixo das unhas e até a boca. Este fato tem levado os especialistas à conclusão de que a ocorrência de câncer em negros provavelmente tenha origem genética.

A geografia também tem um papel importante no câncer de pele. Regiões equatoriais, onde o sol do meio-dia bate diretamente sobre a cabeça, recebem a radiação ultravioleta mais intensa. Ao norte ou ao sul, os raios solares incidem na terra num ângulo mais oblíquo, fazendo um caminho maior pela atmosfera, de forma que a camada de ozônio absorve mais a luz ultravioleta antes de atingirem a superfície.

 

Proteção SOLAR

A luz e necessaria ao bem-estar dos humanos. A exposicao aos raios ultravioleta (UV) pode induzir alteracoes sistemicas, aumentando a concentração de vitamina D circulante ou reduzindo a função imunitaria sanguinea. A radiacao ultravioleta (UV), dependendo da constituicao individual, predisposição genetica, tempo e intensidade de exposicao, pode causar envelhecimento precoce da pele, degeneração tecidual antiestetica, fotodermatoses, agravamento de doencas preexistentes especificas e canceres da pele. Por isso, nao faca do sol e das irradiacoes um inimigo, aprenda como se proteger, sem causar danos a saude.

Agentes protetores solares (ou filtros solares) ajudam a bloquear a radiação UV antes que ela cause danos. Para serem eficazes, os protetores devem ser à prova de água, mas mesmo assim eles acabam sendo removidos. Além disso, deve ser observado que a água doce dissolve os protetores com mais eficácia que a água salgada.

Alguns produtos são opacos e refletem a radiação UV, como as pastas brancas que os salva-vidas costumam usar no rosto. Elas contêm pigmentos brancos refletores como o dióxido de titânio (TiO2) e o óxido de zinco (ZnO).

Os agentes de proteção solar mais conhecidos são componentes orgânicos sintéticos que bloqueiam seletivamente a radiação UV mais prejudicial.

Suas estruturas químicas usualmente incluem um anel benzênico substituído. O benzeno puro absorve a radiação UV-C, mas, adicionando-se outros átomos ao anel benzênico, a absorção se estende à região UV-B. Esses compostos benzênicos ‘substituídos’ foram sintetizados para absorver o UV-B prejudicial e deixar o UV-A passar. Isso permite um bronzeamento sem queimaduras, apesar de algum dano ainda ocorrer.

 

FPS: fator de proteção solar

Após 20 minutos de exposição ao sol do meio-dia, um tipo normal de pele branca não bronzeada será afetado pela queimadura do sol, dando origem a uma vermelhidão Essa vermelhidão só se tornará visível 24 horas depois. A exposição necessária para produzir esse efeito é chamada de dose eritemal mínima, que depende da intensidade da radiação e do tempo de exposição. Ao se comparar o tempo necessário para produzir esse efeito eritemal mínimo sobre a pele desprotegida com o tempo necessário para produzi-la sobre a pele protegida com uma quantidade padrão de protetor solar, é possível definir o fator de proteção (FP) para um dado protetor.

O fator de proteção deve ser proporcional à quantidade de luz UV transmitida através da camada de protetor sobre a pele. Assim, se o protetor tem uma transmitância de 50%, isto é, deixa passar 50% da luz incidente, ele deve proporcionar um FPS 2. Em contrapartida, um FPS 10 deve corresponder à transmitância de 10%. Os valores de FPS são obtidos em laboratórios, mas por razões de ordem técnica (dificuldade de se fabricar uma pele articial que simule uma pele natural) optou-se pela adoção do teste real, sendo as loções aplicadas na pele das pessoas (in vivo) para determinar o fator de proteção. As fontes preferidas de radiação solar são artificiais (lâmpadas de vapor de mércurio ou de gás xenônio).

O tipo de pele da cobaia é exposta à radiação de uma lâmpada UV que simula o sol, mas que age mais rapidamente que ele. Uma região do corpo (geralmente as costas) é exposta a uma série de feixes de luz UV. Cada feixe de luz incide por um determinado tempo. Vinte e quatro horas depois, a pele é examinada para verificar o eritema, a vermelhidão da queimadura. O tempo mínimo de exposição que produz eritema é observado (25 segundos, por exemplo). Outra seção das costas é tratada com uma quantidade precisa de protetor solar, e exposta a uma nova série de feixes por diferentes períodos de tempo. Vinte e quatro horas depois, os locais onde a luz incidiu são examinados e, novamente, o tempo mínimo que produz o eritema é anotado (200 segundos, por exemplo). O FPS é a razão destes tempos.

Para fins práticos, isto significa que a pele leva oito vezes mais tempo para se queimar com o protetor solar do que sem ele. Se você normalmente se queima depois de uma hora de sol, você poderia, de acordo com este exemplo, ficar oito horas no sol usando esse protetor solar. Infelizmente, em nosso país, o alto custo das loções contendo filtros solares tem dificultado o acesso dessa tecnologia à grande massa da população que se expõe diariamente ao sol, seja por lazer ou por necessidade de trabalho. Aos químicos compete o desafio de desenvolver novos produtos mais baratos e de qualidade equivalente.

Muitas vezes, quando estamos ao sol, numa praia, por exemplo, costumamos achar que ficar debaixo de um guarda-sol, dentro da água ou usar camiseta são proteções adequadas. Entretanto, não se pode esperar muito dessas estratégias. Sabe-se que a areia da praia reflete 50% dos raios UV que nela incidem, o que faz com que estes nos atinjam mesmo quando estamos à sombra. A neve reflete 83% da luz incidente, e é capaz de promover um bronzeado equivalente ao de estar na praia. A água conduz os raios UV até uma profundidade de 91,5 cm e reflete 5% da luz. Uma camiseta molhada permite que 20 a 30% dos raios UV atinjam a pele. Uma outra curiosidade é que o vidro não transmite muita luz com comprimento de onda abaixo de 350 nm. Se recebermos luz por detrás de uma janela, a principal conseqüência será a vermelhidão da pele por causa do calor (luz infravermelha). O mesmo não ocorre com o acrílico, que transmite luz de comprimentos de onda menores.

 

Utilização correta do fotoprotetor para prevenção

Algumas orientações são importantes para a utilização correta do fotoprotetor, segundo Cestari (2006): aplique o fotoprotetor de 20 a 30 minutos antes da exposição ao sol, para que haja tempo de ser absorvido e desempenhar seu efeito protetor; aplique o filtro solar liberalmente em todas as áreas expostas, exceto na dos olhos; não se esqueça de aplicar nas orelhas, dorso das mãos e dorso dos pés; aplique o fotoprotetor cuidadosamente ao redor dos olhos, evitando as pálpebras inferiores e superiores; as crianças tem o habito de esfregar os olhos e alguns produtos podem ser irritantes; se ocorrer eritema da conjuntiva ocular, ardor ou irritação, lave os olhos imediatamente; use fotoprotetor em bastão para áreas sensíveis como lábios, nariz e orelhas; aplique o filtro solar sob as roupas, pois a radiação solar pode penetrar alguns tipos de tecidos, principalmente se estiverem molhados; e importante salientar que camisetas de malha de cor branca conferem pouca proteção, pois permitem a passagem da radiação ultravioleta e se estiverem molhadas praticamente não conferem proteção nenhuma.

 

Referências:

COSTA, MICHELLE L.; SILVA, ROBERTO, RIBEIRO. Ataque à Pele. Química Nova na Escola. n.1, mai, p.3-7, 1995.

SOUZA, Sonia R P de; FISCHER, Frida M  and  SOUZA, José M P de. Bronzeamento e risco de melanoma cutâneo: revisão da literatura. Rev. Saúde Pública [online]. 2004, vol.38, n.4, pp. 588-598. ISSN 0034-8910.

TORRES, BAYARDO B.. Bioquímica do Envelhecimento. Departamento de Bioquímica, Instituto de química – USP, 2001, 79 p..

TROFETTI, MARIA H.; OLIVEIRA, VANESSA. R.. A Importância do uso do filtro solar na prevenção do fotoenvelhecimento e do câncer de pele. Investigação – Revista Científica da Universidade de Franca Franca (SP). v. 6, n. 1, jan. / abr, p. 59-66, 2006.

Publicado em: 28 de setembro de 2011 às 15:15

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